19/07/2014

Blogagem Coletiva #ASemana22


Na última semana foi esse sentimento que cresceu dentro de mim. Então é isso: tá decidido, nada, nem ninguém vai mudar a minha decisão: Eu vou ser feliz! Eu sou feliz! E não essa felicidade utópica e comercial das capas de revistas.
 Felicidade é estar bem com você, 
mesmo que tudo ao redor não esteja!

E em cima dessa decisão, outras foram surgindo: Uma delas é que quero voltar a postar no blog, retomar o A Vida Sem Manual - mesmo que seja assim, através das blogagens coletivas. A escrita, assim como qualquer oficio é um eterno aprendizado e constante treinamento, e só escrevendo posso me aprimorar como a escritora que sonho ser.
Fernanda Reali

08/06/2014

Yellow Monkey - Novo Membro da Família

No mundo ideal, nenhuma criança teria que passar por experiências dolorosas, mas infelizmente, o mundo não é ideal, mas real e os últimos meses viraram a vida dessa criança de ponta cabeça. Devido a vários problemas, tivemos que sair da nossa casa e virmos morar com meus sogros. Num bairro próximo, porém que precisa de ônibus para que ele possa ir ao colégio - optamos por não tirá-lo do colégio, para evitar maiores traumas.

Infelizmente, chegamos em Madureira quando estava num auge de uma guerra entre facções rivais e nossos primeiros noites foram quase em claro, ouvindo o estrondo dos tiroteios frequentes.

Por duas vezes ficamos presos no meio de um tiroteio e tivemos que procurar abrigo entre as poucas lojas abertas. Tivemos ônibus queimado em frente ao portão do prédio onde estamos morando e por mais de uma vez, não o levamos para o colégio devido aos tiros.

Nesse processo todo, o amor de todos os familiares ajudou a que ele superasse os medos, soubesse lidar com os acontecimentos da melhor maneira possível. Estar junto da avó que o amava e que não era só uma avó, mas uma companheira de aventuras e brincadeiras, uma amiga e presença constante na rotina dele, principalmente nos últimos meses; deu-lhe mais força e confiança para superar tudo.

Mas ai vem a vida e nos prega uma peça de péssimo gosto. Num de repente, menos de uma semana, a avó dele adoeceu e morreu. E ai, como fazer pra comunicar ao seu filho de oito anos essa morte?

Eu não sei se um dia lá na frente a gente vai entender o porquê dessa dor toda. Ou, se vamos apenas seguir em frente, sabendo que nunca vai ter explicação... Não sei, só sei que meu filho sofre. Uma dor aguda e tão profunda que de vez em quando o faz chorar por horas. E nessas horas meu coração se parte em milhares de pedacinhos, porque eu não posso consolá-lo. Não posso dizer que tudo vai ficar bem...

Foi então que surgiu o Yellow Monkey. 

Era um macaco de pelúcia amarelo, que era da Jane, minha sogra. O qual Dani achou, no dia em que minha cunhada estava arrumando as coisas da mãe. E o macaco passou a ter um novo dono. Que dorme com ele todas as noites. Que conversa quando acorda. Que virou seu companheiro de aventura. 


Não importa aonde a gente vá, se na padaria da esquina ou num passeio no Parque Lage, Yellow Monkey está junto. E desde o dia que o macaquinho passou a fazer parte da nossa família, Dani não chora mais. 

E eu tenho certeza de que foi minha sogra, lá do outro plano, onde se encontra agora que fez o macaquinho cair nas mãos dele. Para que assim, pudessem continuar as brincadeiras que foram estupidamente encerradas entre eles. 

Obrigada Jane pelo Yellow Monkey e principalmente, obrigada por ter sido uma pessoa tão especial na vida de todos nós! 

Agora o Yellow Monkey tem um álbum no Facebook com fotos de todas as suas aventuras! 

19/05/2014

Nós que Nos Odiamos Tanto

Você sente que está vivendo numa sociedade estranha quando a frase que mais lê/ouve no seu dia-a-dia é "Eu Odeio..." complete com qualquer coisa, afinal, parece que a moda agora é odiar. A tudo, a todos, indiscriminadamente.

Tudo que te cerca parece repleto desse sentimento, que na minha hierarquia, ocupa um lugar destinado a poucos, muito poucos, na verdade, escrevendo esse post acabo de perceber que não odeio nada, nem a ninguém. Sou eu a estranha e é melhor começar a arrumar as malas pra ir pra Nave Mãe, ou a banalização de um sentimento tão pesado é uma constante?

Fui criada aprendendo que amar é mais bonito e faz melhor ao corpo e alma do que o ódio. Sempre aprendi que o ódio pode matar. A quem odeia e a quem é o odiado.

Quem odeia ter seu carro fechado num cruzamento, pode se sentir no direito de sair e simplesmente disparar vários tiros na direção do carro que o fechou. O adolescente que odeia ser tachado de qualquer coisa no colégio, pode achar que nada mais natural que juntar outros que odeiam como ele e espancarem outro adolescente até a morte... O jovem que odeia os diferentes, seja de etnia, time, religião ou sexual, pode acreditar que seu ódio justifique um linchamento daquele que se odeia... 
E poderia aqui continuar ad infinitum com todos as consequências do que o odiar banalizado pode fazer.

Na tv assisto em realitys, participantes simularem tiros em seus adversários do jogo. Na internet leio frases e posts insistindo que o certo é ser o errado, e que ser certo é chato. E sou odiada ao questionar isso...

E dai, tem meu filho, que tem seis anos e está apreendendo esse mundão de Deus, e dai tenho medo. De verdade, porque eu não quero ensinar meu filho a odiar. Não quero que ele cresça achando que ser bom é démodé, ou entediante... Mas, também não quero que ele seja vítima de uma sociedade que odeia demais. 

Querer mais amor e solidariedade é pedir demais? Menos ódio e mais tolerância é piegas? Pois que seja! Vou assumir aqui que sou entediante e piegas, mas mesmo sendo uma voz minoritária, tenho certeza de que pode ecoar pelo menos um pouco e quem sabe, assim como a moda muda, mude também essa sintonia do ódio e entremos todos na sinfonia do amor.

(texto escrito e publicado em 2012 e infelizmente continua mais atual que nunca)