21/10/2014

Explicando - sobre dores e acontecimentos


Tela Marcelo Daltro

Não que ela esperasse piedades e demonstrações de pena. Tampouco queria frases feitas e abraços/sorrisos vazios.

O que ela queria mesmo era o direito de sentir medo. de se sentir aflita e confusa. O que ela queria era abraços sinceros e calorosos. Daqueles que viram colo quando menos se esperam e mais se necessita.

Queria frases doces e não discursos repletos de certezas -  como assim, certezas?! Se nunca temos certeza de nada nessa vida?

Ah, ela queria apenas sentir-se acolhida e amparada. Sem cobranças de que ela estava fazendo Drama Queen. Ou mesmo que estivesse, ela queria ter o direito de fazer. 

Alias, todos temos o direito de fazer Drama Queen em algum momento da nossa vida!
Ter o direito de chorar escorrendo pelas paredes, com soluços e mucos  e no final, olhos inchados e sonolência. Todos temos esse direito! 

E, o que ela mais achava injusto, era a a ditadura da felicidade. Você vai superar! você vai vencer! Isso não é nada! Caralho, isso era tudo! Pelo menos para ela, pelo menos naquele momento!

E ela tinha a certeza de que não seria eterno. De que amanheceria cores e estaria pronta para enfrentar o que viesse. 

O que poucos entendiam é que ela não estava desistindo ou se entregando a dor. 

Mas era um momento necessário, para que ela reunisse todos os seus pedaços e começasse de novo. Ela que nunca soube desistir, não seria agora que aprenderia!

Mas, se permitir virar cacos, ajuda na hora de se recompor. 

E dali ela seguiria amparada pelas mãos que em todo o processo, estiveram sempre ali, prontas para ajudá-la a levantar de novo e mais forte que nunca, pro combate.

19/07/2014

Blogagem Coletiva #ASemana22


Na última semana foi esse sentimento que cresceu dentro de mim. Então é isso: tá decidido, nada, nem ninguém vai mudar a minha decisão: Eu vou ser feliz! Eu sou feliz! E não essa felicidade utópica e comercial das capas de revistas.
 Felicidade é estar bem com você, 
mesmo que tudo ao redor não esteja!

E em cima dessa decisão, outras foram surgindo: Uma delas é que quero voltar a postar no blog, retomar o A Vida Sem Manual - mesmo que seja assim, através das blogagens coletivas. A escrita, assim como qualquer oficio é um eterno aprendizado e constante treinamento, e só escrevendo posso me aprimorar como a escritora que sonho ser.
Fernanda Reali

08/06/2014

Yellow Monkey - Novo Membro da Família

No mundo ideal, nenhuma criança teria que passar por experiências dolorosas, mas infelizmente, o mundo não é ideal, mas real e os últimos meses viraram a vida dessa criança de ponta cabeça. Devido a vários problemas, tivemos que sair da nossa casa e virmos morar com meus sogros. Num bairro próximo, porém que precisa de ônibus para que ele possa ir ao colégio - optamos por não tirá-lo do colégio, para evitar maiores traumas.

Infelizmente, chegamos em Madureira quando estava num auge de uma guerra entre facções rivais e nossos primeiros noites foram quase em claro, ouvindo o estrondo dos tiroteios frequentes.

Por duas vezes ficamos presos no meio de um tiroteio e tivemos que procurar abrigo entre as poucas lojas abertas. Tivemos ônibus queimado em frente ao portão do prédio onde estamos morando e por mais de uma vez, não o levamos para o colégio devido aos tiros.

Nesse processo todo, o amor de todos os familiares ajudou a que ele superasse os medos, soubesse lidar com os acontecimentos da melhor maneira possível. Estar junto da avó que o amava e que não era só uma avó, mas uma companheira de aventuras e brincadeiras, uma amiga e presença constante na rotina dele, principalmente nos últimos meses; deu-lhe mais força e confiança para superar tudo.

Mas ai vem a vida e nos prega uma peça de péssimo gosto. Num de repente, menos de uma semana, a avó dele adoeceu e morreu. E ai, como fazer pra comunicar ao seu filho de oito anos essa morte?

Eu não sei se um dia lá na frente a gente vai entender o porquê dessa dor toda. Ou, se vamos apenas seguir em frente, sabendo que nunca vai ter explicação... Não sei, só sei que meu filho sofre. Uma dor aguda e tão profunda que de vez em quando o faz chorar por horas. E nessas horas meu coração se parte em milhares de pedacinhos, porque eu não posso consolá-lo. Não posso dizer que tudo vai ficar bem...

Foi então que surgiu o Yellow Monkey. 

Era um macaco de pelúcia amarelo, que era da Jane, minha sogra. O qual Dani achou, no dia em que minha cunhada estava arrumando as coisas da mãe. E o macaco passou a ter um novo dono. Que dorme com ele todas as noites. Que conversa quando acorda. Que virou seu companheiro de aventura. 


Não importa aonde a gente vá, se na padaria da esquina ou num passeio no Parque Lage, Yellow Monkey está junto. E desde o dia que o macaquinho passou a fazer parte da nossa família, Dani não chora mais. 

E eu tenho certeza de que foi minha sogra, lá do outro plano, onde se encontra agora que fez o macaquinho cair nas mãos dele. Para que assim, pudessem continuar as brincadeiras que foram estupidamente encerradas entre eles. 

Obrigada Jane pelo Yellow Monkey e principalmente, obrigada por ter sido uma pessoa tão especial na vida de todos nós! 

Agora o Yellow Monkey tem um álbum no Facebook com fotos de todas as suas aventuras!